Sem grandes gravadoras, músicos alternativos se destacam


A lista dos 50 melhores discos brasileiros entre 2001-2010, divulgada pela Folha de S.Paulo, incluiu poucos veteranos, novidades pops e bons novos nomes da MPB, mas deixou de lado alguns excelentes álbuns lançados na década. Destaco o primeiro trabalho solo de Junio Barreto e o disco da Eddie, Original Olinda Style, ambos pernambucanos. Provavelmente eles não tenham entrado em um dos critérios da avaliação, mercado.

Qualidade técnica eles tem de sobra, muito mais que a banda de Chimbinha e Joelma, rei e rainha, respectivamente do tecnobrega paraense. O que chama a atenção na Banda Calypso, e que merece meu respeito, foi a forma pela qual produziram seu primeiro disco (não o que está na lista). Gravaram na raça e ainda distribuíram nos camelôs de Belém. Provaram que para ser pop, vender milhões e frequentar programas de auditório das tardes de domingo não é preciso um contrato com as grandes gravadoras.

Isso não tem importância? Um amigo que até pouco tempo era baterista de uma banda, cujo disco merecia estar nessa lista também, disse que o sonho de todo músico é ser reconhecido pelo grande público e um dos canais, infelizmente, são esses programas de gosto duvidoso. Eu tive que concordar com ele.

Graças a tecnologia, o talento e o engajamento estão na seleção, não só da Folha, mas na minha também: Tulipa Ruiz, com Efêmera; os pernambucanos do Mombojó, com NadadeNovo; a banda do cearense Fernando Catatau, Cidadão Instigado, O Ciclo da Decadência; do coletivo Instituto, Coleção Nacional; Pareço Moderno, dos paulistas Cérebro Eletrônico; entre outros, Céu, Bebel Gilberto, Los Hermanos, Teresa Cristina…

Mas independente se gostamos ou não, se é bom ou ruim, se é pop, hype, modismo ou alternativo, a década foi marcada por estes trabalhos, a grande maioria produzidos de forma alternativa. Muitos destes artistas romperam com a grande indústria do disco que contaminou às rádios no final do século passado.

Felizes sejam os álbuns novos!