O cara e a América Latina!


O papel de liderança que caberia naturalmente aos Estados Unidos no continente, em particular na América Latina, claro se a potencia não tivesse planos sempre tão obscuros e uma politica devassa de dominação, foi facilmente conquistado pelo Brasil, após uma política de aproximação, reconciliadora e de igualdade do governo Lula e que deve ter continuidade na gestão de Dilma governo que agora chega.

Enquanto a Doutrina Bush estava preocupada em caçar terroristas pelos quatro cantos do mundo e enxergava a Alca como um meio de manter o controle da situação na sua vizinhança, nosso país crescia e se aproximava dos países latino-americanos.

Não foi a toa que o ex-presidente Lula escolheu a Argentina como seu primeiro destino internacional assim que assumiu a presidência, em 2002. Ao longo dos oito anos de seu governo, Lula se fortaleceu como líder, virou referência na América Latina e estreitou os laços com nossos vizinhos.

Lula aproximou a Venezuela do Mercosul, intermediou e encontrou uma solução para crises diplomáticas do ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, com Hugo Chávez e Rafael Correa, do Equador. Assim como em Honduras, onde teve papel de destaque após o golpe de estado que isolou Manuel Zelaya, em 2009. Depois de ter sido obrigado a deixar seu país, Zelaya se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde ficou por quatro meses.

Gerenciou a crise do gás boliviano. Apesar de muito criticado, disse que a nacionalização dos recursos naturais da Bolívia era uma medida soberana e aceitou renegociar, sem retaliação. No Haiti, já comandava uma força de paz quando um terremoto arrasou o país mais pobre do continente no ano passado. A permanência do exército brasileiro não tem data para acabar, provavelmente o Brasil irá liderar a sua reconstrução.

Cuba

A amizade entre o líder cubano, Fidel Castro, e Lula já dura mais de 30 anos. Eles se conheceram na Nicarágua, em 1980, durante as comemorações do primeiro aniversário da revolução sandinista. Quando ainda era líder sindical, o ex-presidente visitou Cuba diversas vezes, assim como Fidel veio ao Brasil: ele se hospedou na casa de Lula, em São Bernardo do Campo (SP), em 1994.

O prestigio do líder brasileiro é tanto junto ao comandante, que Fidel, fato raro, veio à posse de Lula prestigiar o amigo no mesmo dia do aniversário da Revolução Cubana, 1º de janeiro.

As relações entre os dois países se estreitaram mais ainda. Entre 2003 e 2010, o ex-presidente fez quatro viagens oficiais a Cuba, nas quais assinou acordos comerciais e facilitou a entrada de empresas brasileiras na ilha. Junto de Hugo Chávez, Lula foi um dos principais defensores do fim do embargo à ilha, que já dura quase 50 anos.

Sim, Obama, Lula foi (e ainda é) o cara!


Quem quer incendiar o Brasil?

O clima de guerra das últimas eleições presidenciais, alimentada por parte da imprensa e pela candidatura do derrotado José Serra (PSBD), criou um clima que muito me faz lembrar o que acontece alguns anos na Venezuela e na Bolívia. Efeito disso foi a avalanche de atos preconceituosos contra nordestinos nas mídias sociais. Ignorância tamanha comparada a aristocracia cafeeira de outrora, a república café-com-leite e demais levantes fascistas de Getúlio e cia. Ah, vale lembrar que a situação venceria no Brasil mesmo sem os votos do Norte/Nordeste.

Sabemos que nos vizinhos o papel dos meios de comunicação são tão cruéis e nefastos que já colocaram em risco inclusive a democracia. Um golpe muito bem articulado contra Hugo Chavez foi tramado e só não foi bem sucedido graças ao apoio popular, que exigiu, imediatamente a volta de seu comandante.

Esse fato pode ser comprovado no documentário independente “A revolução não será televisionada”, da emissora britânica BBC. Os documentaristas estavam na hora dos incidentes e registraram todas as etapas, desde as mobilizações populares dos bairros da periferia de Caracas até os acontecimentos decisivos dentro do palácio presidencial de Miraflores.

É evidente como os meios de comunicação, principalmente a RCTV, colaboraram para o golpe. Caso tenham interesse, amigos, posso gravar o documentário para vocês.

Na Bolívia, a imprensa defende a autonomia dos departamentos mais ricos (aqueles que possuem em abundancia gás e petróleo). Em Santa Cruz de la Sierra, onde a maioria da população é de origem europeia e estão em melhores condições daquelas cuja maioria é indígena, como La Paz e Potosí, ficou evidenciado “a guerra suja de classes” numa viagem recente que fiz. Pichações de ordem racistas estão em toda parte. Assim como Chavez, Evo Morales goza de uma grande popularidade, já que está conseguindo tirar parte da população do seu país da linha da miséria, com projetos tidos como “populistas”, por seus opositores.


Mulher e filho passam perto de inscrição em muro que critica os canais de TV Unitel e Red Uno, alinhados com os autonomistas

Por aqui, o ódio pode se tornar um agente desestabilizador da nossa jovem democracia. É preciso tomar cuidado! Uma onda de intolerância pode surgir e bater de frente aos nossos avanços em áreas primordiais para o desenvolvimento: políticas sociais, economia e relações internacionais.

Ao Sul da Fronteira

Este é um documentário essencial para compreender a escalada de líderes latino-americanos de esquerda na região. Foi dirigido por Oliver Stone e exibido, sem muita atenção da mídia local, nos cinemas brasileiros.