#paradizerquenaofaleidasflores

O juiz, aos 45 minutos do segundo tempo, resolveu impedir a Marcha da Liberdade. Os ânimos se acirraram e não se falava outra coisa nos bares do eixo Baixo Augusta/Vila Madalena. Era óbvio que tínhamos mais um motivo para ir para o MASP, ponto de encontro de tantos outros protestos, como o impeachment do Collor, contra a criação da ALCA.

A proibição era mais um ato contra a liberdade de expressão, digno de uma ditadura.

O conflito também era evidente! Mas não ocorreu!

Será que flores iriam sensibilizar os homens de cinza?

Será que a final da UEFA iria ofuscar o nosso protesto? Mais um motivo para ir ao MASP. Ainda mais por que a polícia catalã tirou da Praça da Catalunha, em Barcelona, milhares de acampados que protestavam contra uma dezena de coisas.

Mas afinal, o que protestávamos?

Cada um portava um estandarte nas mãos e um motivo no coração. Era também uma festa, mas qual o problema? Não era um happening como o churrascão de Higienópolis, mas era também uma chance de chamar a atenção por um transporte mais eficiente, pela liberdade individual, contra a homofobia, contra a corrupção, pela segurança, pela floresta, contra a repressão, por mais justiça social.

Teve apoio à Líbia, Tunísia, Egito e Espanha.

Também aos sindicalistas mortos na semana passada pela máfia da madeira, no Norte do País.

Aos desaparecidos políticos nos anos de chumbo.

Li muitos textos dizendo que era mais uma manifestação da classe média, classe média alta pseudo-intelectual da ZO de SP, de um bando de mimados. Mas quem estava ali tinha pelo menos um motivo.

Digo e repito: sentir necessidade de mais justiça social não tem nada a ver com a classe à qual se pertence.

É bonito sim e ainda muito romântico.

Éramos mais de cinco mil, entre anônimos e conhecidos. A PM ouvia os coros e as ironias, alguns riam. Será que passou pela cabeça de algum que aquele protesto também podia ser para eles, não só contra?

É difícil dizer se a mobilização do último sábado abrirá os olhos de quem decide por nós. Acho que nós estamos abrindo os olhos, mesmo passando pelo melhor momento econômico da nossa democracia. Mas ficou claro que estabilidade econômica é pouco.

Não podem encher nossa barriga e calar a nossa boca!

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La #spanishrevolution explicada a un brasileño

Por Bernardo Gutiérrez

He hecho un texto matriz para prensa, blogosfera e medios informativos de Brasil, que iré adaptando según las necesidades. Lo cuelgo tal cual en portugués porque hay poco en esta lengua en la red. Podéis traducirlo gracias a nuestros comunes amigos Google Chrome y Google Language:

Muitos amigos brasileiros estão perguntando para mim sobre a #spanishrevolution. O mídia mainstream brasileira publicou pouco e entendeu quase nada. Por isso, vou fazer um exercício muito simples para entender a chamada #spanishrevolution. Imagina que uma ministra de Cultura (Ana Buarque do Holanda, por exemplo) aprova uma lei sobre direitos de autor da Internet que despreza licenças como Creative Commons, corta liberdades civis na rede e faz o jogo da indústria audiovisual. Um grupo de ativistas digitais cria uma plataforma #navoteneles, pedindo para castigar os partidos que aprovaram a lei (imaginemos aqui, PT, PSDB e PMDB). O grupo, indignado com os casos de corrupção, começa fazer ´wikimapas´ feitos em redes com os candidatos corruptos.

Depois, milhares de grupos que lutam por causas diferentes entram na luta pedindo uma “democracia real” mais participativa e transparente e outro sistema económico alternativo ao liberalismo. A revolução #democraciareala estoura quando a policia despeja um grupo de pessoas que estavam acampadas na principal praça da capital do país. As redes sociais espalham rapidamente a #brazilianrevolution e os cidadãos, altamente conectados, descentralizados e organizados, invadem as praças do país inteiro e discutem, no asfalto e na Rede, uma nova sociedade. A campanha política em andamento para as eleições regionais fica paralizada e o mundo começa olhar para uma nova revolução digital de consequências imprevisíveis. Entendeu agora o que aconteceu na Espanha e as ideias que se espalham pelo mundo? Só falta temperar isso com uma crise económica (internacional) e a explosão de uma gigantesca bolha imobiliária (espanhola) para completar a ecuação.

Veja o resto do post no próprio blog do Bernardo, Desde Alfa Centauro