Che FC


Ernesto Che Guevara, uma das figuras mais emblemáticas e admiradas no mundo, influencia gerações há décadas. Na Argentina, suas ideias e ensinamentos socialistas persistem e dão nome ao Clube Atlético Social y Deportivo Ernesto Che Guevara. Time de futebol amador da cidade de Jesus María, em Córdoba (onde o guerrilheiro viveu dos dois aos 19 anos), que estimula valores humanitários e de convívio social dentro e fora do campo.

Fundada em 2006 por Mónica Nielsen e Claudio Ibarra, a equipe foi criada em homenagem ao médico argentino, líder da revolução cubana, cuja famosa imagem, eternizada pelas lentes do fotógrafo cubano Alberto Korda, estampa as camisas vermelhas dos jogadores e o distintivo do uniforme. Nas costas da camisa a famosa frase: “hasta la victoria siempre”. “Pretendemos promover um modelo de pensamento baseado nos valores de Che a partir do futebol, um esporte de grande força em todo mundo”, explica Mónica, presidente do clube que o administra de forma voluntária com a ajuda dos pais e parentes dos meninos do time.

“Assim, idealizamos a integração de crianças e jovens de todas as classes sociais para ajudá-las em sua formação, reforçando sempre valores pregados por Che como solidariedade e dignidade”, explica. “Queremos que eles usem essa camisa e sigam as convicções do líder revolucionário, sua luta e entrega por um mundo melhor”. Ao todo, mais de 100 crianças e adolescentes, em categorias que vão desde o sub-10 até sub-16, participam do projeto. “Eles treinam três vezes por semana, após seus estudos em Jesus María”, afirma Mónica, que também já integrou o Partido Socialista Popular argentino.

Filiado a Liga Regional de Colón, que está ligada a AFA (Associação de Futebol Argentino), o Club Atlético, Social y Deportivo Ernesto Che Guevara tenta conseguir uma sede própria. Por hora, as sete categorias treinam em campos cedidos ou alugados na região e a parte administrativa funciona provisoriamente na casa de Mónica. “Queria que eles, que possuem até tatuagem de Che Guevara, viessem aqui, observassem nosso trabalho e nos dessem uma mão. Seria muito importante para as crianças”, disse Mónica, referindo-se ao ex-craque da seleção argentina, Diego Maradona.

Além do futebol, o grupo organiza atividades que visa à inclusão de crianças e adolescentes no mercado de trabalho, educação, convívio com a comunidade e familiar. “Com isso, seguindo os ensinamentos e o amor revolucionário de Che, estamos construindo o novo homem de amanhã”, completa.

Copa América Alternativa

O Clube Atlético Social y Deportivo Ernesto Che Guevara e o Autônomos FC (time de São Paulo que se organiza sem hierarquias e coletivamente) irão realizar em janeiro de 2012 a primeira Copa América Alternativa, em Jesus María. O evento, além de contar com um torneio de futebol de campo, um torneio de futsal feminino e um torneio de futsal misto, promoverá uma competição infantil, junto com as divisões juvenis do Che Guevara. Além do futebol, estão previstos também um festival de música e outras atrações culturais.


TT’s do Twitter omitem #foraricardoteixeira

O MEGATWITTAÇO pela queda daquele que nunca larga o osso da CBF, Ricardo Teixeira, programado para acontecer entre meia-noite desta terça-feira e meia-noite de quarta corre o risco de não atingir um dos seus principais objetivos: figurar entre os TT’s do Twitter. Desde que o movimento começou, há uma semana, já foram twittadas a hashtag #foraricardoteixeira mais de 42 mil vezes (até à 1h30), mas por algum motivo, nunca apareceu na lista dos termos mais citados.

Eis a surpresa:

Este print foi tirado ao meio dia do dia 22/07 pelo blog Fora Ricardo Teixeira comparando as duas hashtags : #foraricardoteixeira e #palmeirascampeãomundial51 (que era primeiro lugar nos TT´s no momento). O resultado: 9721 x 7689 para #foraricardoteixeira. Como não estava nos Trending Topics? Mesmo em posições inferiores?

Vocês podem comprovar através do site : hashtagbattle.com

Eu fiz durante o tempo que escrevia esse post, e olha o que aconteceu:

É possível que a campanha não tivesse menções o suficiente para ser a primeira colocada, mas ganha em número de menções de pelo menos 1 (um) dos assuntos que figuram na lista que o Twitter fornece.

Será que até aqui existirá censura?

Vamos esperar para ver! Enquanto isso #foraricardoteixeira


God-art e a simpatia pelo diabo

Anos 70, ditadura militar aumentava seu sistema repressivo e ainda ganhava apoio popular. O slong “Brasil, ameo-o ou deixe-o” convidava aqueles que se opunham a deixar o País. A conquista da Copa do Mundo do México e o falso crescimento econômico criavam esse ambiente de ilusões.

Nesse quadro, a contracultura tomava forma, e quem acompanhava à distância a carreira de Godard que, após Week-End, de 1969, desvinculara-se do cinemão para criar, com Jean-Pierre Gorin, uma célula revolucionária.

Surgiu, então, o Godard militante, que Jean Tulard chama, em seu Dicionário de Cinema, de ‘professor da revolução’. Godard assinou filmes tecnicamente rudimentares e didáticos para discutir, no pós-Maio de 68, a revolução.

Pode-se agora contestar essa noção de ‘rudimentar’ e também assinalar que nada como o tempo. Assisti hoje (mais uma vez) “Sympathy for the Devil”, um dos filmes mais famosos de Godard daquela fase. O título remete à música famosa dos Rolling Stones e o filme mostra a banda, Mick Jagger e Keith Richards à frente, ensaiando e gravando num estúdio.

Como num documentário ele cria cenas para falar dos Panteras Negras, racismo, pornografia, violência, marxismo. Godard teve um papel fundamental na desconstrução da narrativa cinematográfica nos anos 60.


O bom e velho rock!

O bom e velho rock faz anos, e muitos anos, ainda bem. Diziam que incentivaria o satanismo além de ser coisa das classes populares (como todas as principais expressões musicais).

Atualmente e há muito tempo, é o gênero musical mais expressivo. Surgiu nos subúrbios dos Estados Unidos, lá pelo final dos anos 40 e, em menos de uma década ganhou o mundo.

Minha singela homenagem a voz da contracultura, responsável por influenciar, vestir, viajar!

Parabéns a todos os deuses (e demônios) do rock!


Mãos à obra – criação colaborativa

Idealizado por Aaron Klobin, o Johnny Cash Project recebia desenhos que formariam uma sequência com os demais, gerando um videoclipe para “Ain’t no Grave”

Uma pessoa resolve usar broca de dentista para abrir um buraco no próprio crânio e assim expandir a consciência, em plena praça pública. Outro inventa a Igreja da Dependência Consciente da Nicotina, onde centenas de fiéis entoam o mantra “cof, cof, cof”, e trava uma guerra contra as indústrias de cigarro. As tradicionais estátuas de Amsterdã são pintadas de branco por vários cidadãos, sem motivo aparente. Um indivíduo tem a ideia de espalhar bicicletas brancas por uma cidade, à disposição de quem queira usar, como forma de protesto contra a poluição e o trânsito caótico. A produção, a mobilização e a divulgação de dezenas de eventos como esses poderiam ter sido feitas com a ajuda da internet e das redes sociais nos dias de hoje. Mas como se trata de fatos ocorridos há pelo menos 50 anos, na capital holandesa, esse trabalho foi feito de forma “analógica” e com muito sucesso, graças ao poder de envolvimento dos participantes.

Avós do flash mob [movimento que convoca seguidores por meio de determinada mídia a realizar uma ação coletiva pública geralmente ligada a uma causa] e de tudo o que se entende por produção colaborativa atualmente, as pessoas cujas ações foram descritas acima fizeram parte do Provos, grupo cultural anarquista, marco do nascimento da contracultura, que agitou a Holanda na década de 1960 e influenciou estéticas fundamentais como a dos hippies, dos punks e dos beatniks.

Eles criaram alternativas como o uso das bicicletas coletivas em Amsterdã e Barcelona, além de inspirar a legalização da maconha e da prostituição na capital holandesa. Embora muitos nem sequer tenham ouvido falar deles, o Provos foi essencial para a formação cultural no mundo contemporâneo. Se sua proposta era o rompimento com valores sociais, políticos e econômicos, hoje a produção coletiva é guiada por um componente essencial: a tecnologia.

Leia a matéria completa que fiz para a revista Continuum, do Itaú Cultural, sobre criação coletiva.


#paradizerquenaofaleidasflores

O juiz, aos 45 minutos do segundo tempo, resolveu impedir a Marcha da Liberdade. Os ânimos se acirraram e não se falava outra coisa nos bares do eixo Baixo Augusta/Vila Madalena. Era óbvio que tínhamos mais um motivo para ir para o MASP, ponto de encontro de tantos outros protestos, como o impeachment do Collor, contra a criação da ALCA.

A proibição era mais um ato contra a liberdade de expressão, digno de uma ditadura.

O conflito também era evidente! Mas não ocorreu!

Será que flores iriam sensibilizar os homens de cinza?

Será que a final da UEFA iria ofuscar o nosso protesto? Mais um motivo para ir ao MASP. Ainda mais por que a polícia catalã tirou da Praça da Catalunha, em Barcelona, milhares de acampados que protestavam contra uma dezena de coisas.

Mas afinal, o que protestávamos?

Cada um portava um estandarte nas mãos e um motivo no coração. Era também uma festa, mas qual o problema? Não era um happening como o churrascão de Higienópolis, mas era também uma chance de chamar a atenção por um transporte mais eficiente, pela liberdade individual, contra a homofobia, contra a corrupção, pela segurança, pela floresta, contra a repressão, por mais justiça social.

Teve apoio à Líbia, Tunísia, Egito e Espanha.

Também aos sindicalistas mortos na semana passada pela máfia da madeira, no Norte do País.

Aos desaparecidos políticos nos anos de chumbo.

Li muitos textos dizendo que era mais uma manifestação da classe média, classe média alta pseudo-intelectual da ZO de SP, de um bando de mimados. Mas quem estava ali tinha pelo menos um motivo.

Digo e repito: sentir necessidade de mais justiça social não tem nada a ver com a classe à qual se pertence.

É bonito sim e ainda muito romântico.

Éramos mais de cinco mil, entre anônimos e conhecidos. A PM ouvia os coros e as ironias, alguns riam. Será que passou pela cabeça de algum que aquele protesto também podia ser para eles, não só contra?

É difícil dizer se a mobilização do último sábado abrirá os olhos de quem decide por nós. Acho que nós estamos abrindo os olhos, mesmo passando pelo melhor momento econômico da nossa democracia. Mas ficou claro que estabilidade econômica é pouco.

Não podem encher nossa barriga e calar a nossa boca!


La #spanishrevolution explicada a un brasileño

Por Bernardo Gutiérrez

He hecho un texto matriz para prensa, blogosfera e medios informativos de Brasil, que iré adaptando según las necesidades. Lo cuelgo tal cual en portugués porque hay poco en esta lengua en la red. Podéis traducirlo gracias a nuestros comunes amigos Google Chrome y Google Language:

Muitos amigos brasileiros estão perguntando para mim sobre a #spanishrevolution. O mídia mainstream brasileira publicou pouco e entendeu quase nada. Por isso, vou fazer um exercício muito simples para entender a chamada #spanishrevolution. Imagina que uma ministra de Cultura (Ana Buarque do Holanda, por exemplo) aprova uma lei sobre direitos de autor da Internet que despreza licenças como Creative Commons, corta liberdades civis na rede e faz o jogo da indústria audiovisual. Um grupo de ativistas digitais cria uma plataforma #navoteneles, pedindo para castigar os partidos que aprovaram a lei (imaginemos aqui, PT, PSDB e PMDB). O grupo, indignado com os casos de corrupção, começa fazer ´wikimapas´ feitos em redes com os candidatos corruptos.

Depois, milhares de grupos que lutam por causas diferentes entram na luta pedindo uma “democracia real” mais participativa e transparente e outro sistema económico alternativo ao liberalismo. A revolução #democraciareala estoura quando a policia despeja um grupo de pessoas que estavam acampadas na principal praça da capital do país. As redes sociais espalham rapidamente a #brazilianrevolution e os cidadãos, altamente conectados, descentralizados e organizados, invadem as praças do país inteiro e discutem, no asfalto e na Rede, uma nova sociedade. A campanha política em andamento para as eleições regionais fica paralizada e o mundo começa olhar para uma nova revolução digital de consequências imprevisíveis. Entendeu agora o que aconteceu na Espanha e as ideias que se espalham pelo mundo? Só falta temperar isso com uma crise económica (internacional) e a explosão de uma gigantesca bolha imobiliária (espanhola) para completar a ecuação.

Veja o resto do post no próprio blog do Bernardo, Desde Alfa Centauro