God-art e a simpatia pelo diabo

Anos 70, ditadura militar aumentava seu sistema repressivo e ainda ganhava apoio popular. O slong “Brasil, ameo-o ou deixe-o” convidava aqueles que se opunham a deixar o País. A conquista da Copa do Mundo do México e o falso crescimento econômico criavam esse ambiente de ilusões.

Nesse quadro, a contracultura tomava forma, e quem acompanhava à distância a carreira de Godard que, após Week-End, de 1969, desvinculara-se do cinemão para criar, com Jean-Pierre Gorin, uma célula revolucionária.

Surgiu, então, o Godard militante, que Jean Tulard chama, em seu Dicionário de Cinema, de ‘professor da revolução’. Godard assinou filmes tecnicamente rudimentares e didáticos para discutir, no pós-Maio de 68, a revolução.

Pode-se agora contestar essa noção de ‘rudimentar’ e também assinalar que nada como o tempo. Assisti hoje (mais uma vez) “Sympathy for the Devil”, um dos filmes mais famosos de Godard daquela fase. O título remete à música famosa dos Rolling Stones e o filme mostra a banda, Mick Jagger e Keith Richards à frente, ensaiando e gravando num estúdio.

Como num documentário ele cria cenas para falar dos Panteras Negras, racismo, pornografia, violência, marxismo. Godard teve um papel fundamental na desconstrução da narrativa cinematográfica nos anos 60.

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