Mãos à obra – criação colaborativa

Idealizado por Aaron Klobin, o Johnny Cash Project recebia desenhos que formariam uma sequência com os demais, gerando um videoclipe para “Ain’t no Grave”

Uma pessoa resolve usar broca de dentista para abrir um buraco no próprio crânio e assim expandir a consciência, em plena praça pública. Outro inventa a Igreja da Dependência Consciente da Nicotina, onde centenas de fiéis entoam o mantra “cof, cof, cof”, e trava uma guerra contra as indústrias de cigarro. As tradicionais estátuas de Amsterdã são pintadas de branco por vários cidadãos, sem motivo aparente. Um indivíduo tem a ideia de espalhar bicicletas brancas por uma cidade, à disposição de quem queira usar, como forma de protesto contra a poluição e o trânsito caótico. A produção, a mobilização e a divulgação de dezenas de eventos como esses poderiam ter sido feitas com a ajuda da internet e das redes sociais nos dias de hoje. Mas como se trata de fatos ocorridos há pelo menos 50 anos, na capital holandesa, esse trabalho foi feito de forma “analógica” e com muito sucesso, graças ao poder de envolvimento dos participantes.

Avós do flash mob [movimento que convoca seguidores por meio de determinada mídia a realizar uma ação coletiva pública geralmente ligada a uma causa] e de tudo o que se entende por produção colaborativa atualmente, as pessoas cujas ações foram descritas acima fizeram parte do Provos, grupo cultural anarquista, marco do nascimento da contracultura, que agitou a Holanda na década de 1960 e influenciou estéticas fundamentais como a dos hippies, dos punks e dos beatniks.

Eles criaram alternativas como o uso das bicicletas coletivas em Amsterdã e Barcelona, além de inspirar a legalização da maconha e da prostituição na capital holandesa. Embora muitos nem sequer tenham ouvido falar deles, o Provos foi essencial para a formação cultural no mundo contemporâneo. Se sua proposta era o rompimento com valores sociais, políticos e econômicos, hoje a produção coletiva é guiada por um componente essencial: a tecnologia.

Leia a matéria completa que fiz para a revista Continuum, do Itaú Cultural, sobre criação coletiva.

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