Quem quer incendiar o Brasil?

O clima de guerra das últimas eleições presidenciais, alimentada por parte da imprensa e pela candidatura do derrotado José Serra (PSBD), criou um clima que muito me faz lembrar o que acontece alguns anos na Venezuela e na Bolívia. Efeito disso foi a avalanche de atos preconceituosos contra nordestinos nas mídias sociais. Ignorância tamanha comparada a aristocracia cafeeira de outrora, a república café-com-leite e demais levantes fascistas de Getúlio e cia. Ah, vale lembrar que a situação venceria no Brasil mesmo sem os votos do Norte/Nordeste.

Sabemos que nos vizinhos o papel dos meios de comunicação são tão cruéis e nefastos que já colocaram em risco inclusive a democracia. Um golpe muito bem articulado contra Hugo Chavez foi tramado e só não foi bem sucedido graças ao apoio popular, que exigiu, imediatamente a volta de seu comandante.

Esse fato pode ser comprovado no documentário independente “A revolução não será televisionada”, da emissora britânica BBC. Os documentaristas estavam na hora dos incidentes e registraram todas as etapas, desde as mobilizações populares dos bairros da periferia de Caracas até os acontecimentos decisivos dentro do palácio presidencial de Miraflores.

É evidente como os meios de comunicação, principalmente a RCTV, colaboraram para o golpe. Caso tenham interesse, amigos, posso gravar o documentário para vocês.

Na Bolívia, a imprensa defende a autonomia dos departamentos mais ricos (aqueles que possuem em abundancia gás e petróleo). Em Santa Cruz de la Sierra, onde a maioria da população é de origem europeia e estão em melhores condições daquelas cuja maioria é indígena, como La Paz e Potosí, ficou evidenciado “a guerra suja de classes” numa viagem recente que fiz. Pichações de ordem racistas estão em toda parte. Assim como Chavez, Evo Morales goza de uma grande popularidade, já que está conseguindo tirar parte da população do seu país da linha da miséria, com projetos tidos como “populistas”, por seus opositores.


Mulher e filho passam perto de inscrição em muro que critica os canais de TV Unitel e Red Uno, alinhados com os autonomistas

Por aqui, o ódio pode se tornar um agente desestabilizador da nossa jovem democracia. É preciso tomar cuidado! Uma onda de intolerância pode surgir e bater de frente aos nossos avanços em áreas primordiais para o desenvolvimento: políticas sociais, economia e relações internacionais.

Ao Sul da Fronteira

Este é um documentário essencial para compreender a escalada de líderes latino-americanos de esquerda na região. Foi dirigido por Oliver Stone e exibido, sem muita atenção da mídia local, nos cinemas brasileiros.

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2 Comentários on “Quem quer incendiar o Brasil?”

  1. Flavia disse:

    assim como nos países vizinhos, também no Brasil governantes que não negam esforços para tirar gente da miséria, eu disse GENTE, independente de qualquer outra coisa, é visto por parte da população que inicia um levante fascista virtual, e muitos outros que não deram e nem darão a cara pra bater, como pai dos pobres e inimigo dos ricos, populista que só quer votos nas próximas eleições. Tirar gente da miséria pode ser mal visto, é bem dificil entender como isso ainda acontece.

  2. Interessante a comparação política entre os governos da Bolívia, Venezuela e Brasil. No entanto, é de se considerar que os dois primeiros países tem políticas econômicas totalmente diferentes do Brasil. No governo Lula, a iniciativa privada só teve a ganhar com os crescimento econômico e outras medidas que foram implantadas e ainda estão sendo, principalmente para micros e pequenas empresas, além de uma liberdade trabalhista que não tem precedentes na história do país. O clima de guerra dentro dos outros dois países entre a elite e governo é muita mais ideológica, com a velha rixa entre capitalismo e socialismo. Mas é natural e compreensível que o governo destes países tomem providências mais duras, pois são bem mais novos na experiência democrática e tomam medidas econômicas que nós brasileiros tomamos há mais de 70 anos: a nacionalização de riquezas estratégicas é uma delas.
    Enfim, é extremamente injusta as atitudes das elites do Brasil pois o país cresceu absurdamente nos últimos anos do governo de Lula e as elites saíram ganhando com isso. Diferentemente do que acontece na Bolívia e na Venezuela, com uma economia atrelada aos petro-dólares e fechando espaço para a iniciativa privada e até para o mercado financeiro, que deve existir, mas com o controle inteligente do estado.
    A atual onda fascista e malcriada das elites tupiniquins também se influencia pela política atual republicana dos EUA, onde o apoio das mídias de direita daquele país, como a FOX e outros meios de comunicação, tentam desestabilizar o governo Obama, que herdou um estado “falido”. Um estado falido criado pelo governo Bush (republicano) na sua insana guerra santa ao oriente que esvaziou os cofres públicos, além da crise do subprime, por conta da falta de controle do FED nas transações econômicas. Desta forma, o Tea Party, como é chamado o atual movimento da ultra-direita americana poderia ter o seu termo correlacionado ao Brasil: Coffee Party!


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